Tratar primeiro Celulite ou Varizes?

Tratamento da celulite em primeiro lugar

De um modo geral, as placas endurecidas da celu­lite estrangulam as veias, impedem qualquer possibi­lidade de circulação venosa, de retorno do sangue contido nas veias, e são a principal causa da formação de varizes, pela estagnação do sangue nas veias, a dila­tação e a perda de elasticidade das paredes destes vasos.

Daqui se conclui que o primeiro gesto a executar é levantar o obstáculo, libertar os tecidos e permitir o restabelecimento duma circulação venosa normal antes de iniciar uma cura de varizes.

Uma vez corrigida a celulite, o tratamento das varizes torna-se então muito mais fácil, os resultados superiores.

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Removido o obstáculo, os riscos de uma recaída, ou seja, a formação de novas varizes, é muito menor. A cura das varizes tem assim, sem dúvida, mais possi­bilidades de ser definitiva.

Tratamento das varizes em primeiro lugar

Por outro lado, em presença de um estado varicoso importante, desproporcionado em relação à celulite, temos de concluir que a má circulação venosa é primi­tiva, e é ela a causa da sua própria deficiência.

A má constituição das paredes venosas, a sua dis­tensão anormal, a perda de elasticidade, deixam escapar através da fraqueza e das fendas da parede aquele líquido seroso de que falámos quando da formação da celulite.

Esse líquido seroso embebe, inunda, o tecido con­juntivo vizinho e determina fenómenos de reacção química e a transformação do tecido conjuntivo.

Nestes casos, as varizes provocam a celulite. O tratamento da celulite imediato impõe-se, a fim de deter o desen­volvimento celulítico.

O tratamento da celulite e a formação das varizes

Aparecimento de varicosidades. — Durante o trata­mento da celulite, nota-se por vezes o aparecimento de pequenas correntes venosas superficiais, azuladas, encarniçadas ou violáceas. Estes filamentos sulcam a pele e parecem multiplicar-se à medida que o trata­mento progride. A pessoa tratada está convencida de que essas varicosidades não existiam. Em parte tem razão. Estas pequenas anomalias assustam muitas vezes as doentes, surgindo no seu espírito uma dúvida ter­rível. Todas fazem a mesma pergunta: «A minha cura da celulite implicará a formação de varizes e varicosi­dades, afecções tão inestéticas e desgraciosas como a celulite?»

O tratamento da celulite

Explicámos longamente que a celulite produz, neces­sária e inevitavelmente, uma obstrução circulatória, um obstáculo ao retorno do sangue venoso e uma estase sanguinea anormal nos vasos.

Dissemos por várias vezes que este atraso implica uma distensão, um alargamento dessas pequenas veias apertadas, estranguladas, na rede fibrosa. Qualquer região do corpo humano infiltrada de celulite está lite­ralmente preenchida por essas veias turgescentes.

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Antes da cura, o endurecimento das placas celulíticas, a espessura, a rigidez da pele, camuflavam essas pequenas veias, tornavam-nas despercebidas.

Quando do tratamento, o desaparecimento das infil­trações celulíticas, o restabelecimento duma pele cada vez mais normal, cada vez mais fina, cada vez mais translúcida, permitem a visualização desses vasos.

Este fenómeno perturbador é, pelo contrário, o sinal de melhoras e de eliminação da celulite. É um sinal de progresso. É igualmente um sinal de libertação da circulação, e não um sinal de formação de varicosi­dades.

Quando observar o aparecimento desses sulcos venosos superficiais, antes inaparentes, alegre-se, pen­sando que sem o seu tratamento da celulite todas essas veias se teriam transformado em verdadeiras varizes. Deteve a tempo o seu desenvolvimento.

Em que se tornarão essas varicosidades?

As varicosidades que se tornam aparentes durante o tratamento permanecerão ou desaparecerão?

A nossa resposta será vaga. Com efeito, a sua evo­lução futura é incerta. Nenhum critério nos permite um juízo certo.

Tudo depende dos distúrbios causados nas paredes dessas pequenas vénulas. Se o estrangulamento muito intenso, muito prolongado, provocou uma distensão das fibras elásticas das paredes, a lesão toma-se como irreversível e definitiva. No entanto, há uma consolação: o seu tratamento, a sua correcção completa e o seu desaparecimento absoluto são possíveis.

Pelo contrário, se os distúrbios celulíticos não deram origem às lesões que acabámos de enumerar, essas pequenas veias libertadas retomarão a sua função normal, a grossura original, e desaparecerão por si próprias.


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