Celulite e a Cultura Física

É inconcebível e incompreensível que se observe a associação celulite-cultura física. Estas palavras, estas discussões, são factos de todos os dias, explicações quotidianamente repetidas a cada doente.

A relação celulite-cultura física está vinculada nos hábitos e toda a gente acredita sem discussão na neces­sidade de exercícios físicos para corrigir os defeitos da celulite.

É fácil dar-se conta desta crença generalizada em todas as mulheres.

Com efeito, em todos os tempos, todos os autores, todas as publicações, todos os conselhos dados aqui e ali, por uns e por outros, qualquer que seja a sua formação ou as suas fontes de informação, os anúncios publicitários, as promessas de cura garantida, todos aconselham a cultura física e descrevem exercícios capazes de corrigir as deformações celulíticas.

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Cultura física inútil e prejudicial

Apressamo-nos a excluir da discussão a ginástica respiratória e os exercícios de descontracção. Estes dois elementos não são uma autêntica cultura física, não desempenham as mesmas funções e não dão origem aos mesmos efeitos. Voltaremos a estes temas e discuti­remos os seus efeitos e os seus benefícios.

A cultura física activa é um disparate, um absurdo no tratamento da celulite. Basta conhecer o mecanismo de formação da celulite, os seus factores de desenvolvi­mento, para se compreenderem os efeitos prejudiciais da cultura física.

1. Os motivos

Estudámos longamente as causas da celulite e esta­belecemos a causa fundamental, que é um distúrbio circulatório de origens diversas e múltiplas.

Compreendemos que em todos os casos poderíamos pôr em evidência um atraso da circulação, quer arterial quer venosa.

Esta função inadequada implica uma acumulação dos produtos residuais no tecido conjuntivo, conse­quência das funções orgânicas anormais. Acumula­ções, sobrecargas que dão origem à celulite.

2. As consequências da cultura física

A cultura física, os esforços intensos, um aumento excessivo de actividade imposta, exigem uma nutrição e uma oxigenação suplementares. As combustões e as trocas fazem-se mais rapidamente e requerem um funcionamento anormal, acentuado, exagerado dessas regiões.

Um organismo doente, já por si insuficiente para responder às necessidades normais, incapaz de dar um mínimo vital, evidentemente que não poderá satisfazer esta necessidade súbita e excessiva.

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Estes fenómenos irão manifestar-se com uma impor­tância e um prejuízo cada vez maiores nas pessoas seden­tárias, não habituadas a actividades físicas violentas ou a actividades desportivas. Com efeito, estas pessoas possuem um sistema de recuperação e de compensação do esforço menos desenvolvido e menos treinado. Seria o mesmo que fazer correr os mil metros a um cardíaco.

3. Efeitos produzidos sobre a celulite

O sistema circulatório defeituoso, insuficiente, dei­xará acumular no tecido conjuntivo os produtos resi­duais originados em todas as actividades orgânicas.

Perante este aumento de produtos de eliminação, consequência do esforço suplementar, das actividades excessivas, não habituais, impostas a uma região, vere­mos acentuar-se a quantidade de produtos tóxicos e produzir-se as reacções químicas descritas. Assistiremos então a um desenvolvimento, e não a uma correcção do estado celulítico.

Já estamos a ouvir a resposta do benefício e do estímulo da circulação sanguínea através do exercício físico. Estamos completamente de acordo e não dis­cutimos esta verdade. Simplesmente respondemos: retirar primeiro o obstáculo e agir em seguida.

4. Conclusão

Em conclusão, tiraremos um grande princípio médico aplicado a todas as doenças, a todas as deficiências orgânicas: dar repouso ao órgão doente e permitir-lhe recuperar.

Porque é que não se há-de passar o mesmo com a celulite?

5.  Após o tratamento

Uma vez tratada, corrigida uma celulite, impõe-se a cultura física e recomendámo-la fortemente.

Uma vez restabelecido o bom funcionamento orgâ­nico, é preciso que este se mantenha. Será esta a função do exercício físico, conservar as boas condições orgâ­nicas.

Se, a nosso ver, a cultura física não é um tratamento da celulite, se em caso algum de celulite ela deve ser feita, após o tratamento torna-se numa necessidade, num factor essencial. A cultura física é um tratamento de manutenção.

Parece-nos ilógico e impensável começar a dis­cussão de um tratamento de modo tão negativo.

Ainda nem sequer emitimos a hipótese duma possi­bilidade de tratamento e já rejeitámos um tratamento geralmente proposto. Fizemo-lo precisamente com o fim de chamar uma atenção particular para este assunto demasiadamente aceite, demasiadamente espalhado e de efeito nefasto.

Damos prova de negativismo, mas num sentido objectivo preciso, de apuramento e de correcção.


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