As causas da Celulite

Descrevemos a formação da celulite e o seu pro­cesso evolutivo. Explicámos as suas manifestações, sinais e sintomas. Em todos os espíritos surge a per­gunta: qual é a causa desta doença tão espalhada que a todas as mulheres atinge?

Infelizmente, temos de responder negativamente. Apesar das inúmeras investigações feitas desde há muitos anos, a despeito das numerosas descobertas, das múltiplas hipóteses emitidas sobre as origens fun­damentais desta doença, nada nos consegue explicar completa, clara e definitivamente a sua causa principal.

No entanto, há uma esperança. As investigações demonstraram, de modo indiscutível, o processo defi­nitivo da sua formação. É a reacção química, já des­crita, que se produz no seio do tecido conjuntivo. Além disso, sabemos que podemos combater esta reacção química, que podemos invertê-la e restabelecer um tecido conjuntivo normal em todas as suas caracterís­ticas e funções, corrigindo assim todas essas defor­mações inestéticas.

Foram tantas as causas admitidas e as hipóteses emitidas e imediatamente rejeitadas que julgamos inútil passá-las em revista.

A nossa finalidade não é um estudo científico com­pleto. Apenas queremos apresentar uma explicação tão simples quanto possível, mas suficientemente completa para ser bem compreendida.

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Só aproveitaremos e exporemos as teorias que apre­sentem um certo interesse. Terminaremos com a expo­sição da nossa concepção pessoal acerca das origens da celulite.

Causas da Celulite

Artrite

De principio a celulite foi classificada e designada sob a forma de uma artrite. Devemos especificar que, antigamente, qualquer fenómeno físico sem explicação entrava nesta rubrica.

Mencionamos este facto, não pela sua importância científica, mas com um objectivo bem determinado.

Apesar de rejeitada há muitos anos, apesar das provas que há da sua inexactidão, a facilidade de inter­pretar qualquer dor como uma reacção artrítica faz que esta teoria ainda sobreviva. E a designação exige, por consequência, um tratamento relativo à artrite.

Repetimos, e nunca será de mais fazê-lo, que a celulite não é uma artrite, e é dolorosa. Certas medi­cações capazes de melhorar a artrite são prejudiciais à celulite.

Hepatite

Posteriormente foi apresentada a teoria hepática: a insuficiência da função hepática’ seria a causa da celulite.

Esta teoria foi rapidamente considerada inadequada e logo rejeitada.

Queremos, no entanto, considerar esta teoria. O fígado é o órgão que possui a propriedade de transformar, de tornar utilizável, de destruir um número considerável de produtos prejudiciais ao organismo e proteger assim dos seus efeitos tóxicos os diferentes tecidos e órgãos.

Na nossa descrição da celulite fizemos notar a importância da acumulação destes produtos residuais no tecido conjuntivo, e as suas consequências físicas.

O mau funcionamento do fígado não pode explicar a formação da celulite. Será um dos seus factores, um componente?

É um facto possível, muito provável, e que devemos ter presente.

Hormonas

Em terceiro lugar vem a teoria hormonal. Era pre­ciso pensar nisso, pois é sobretudo na mulher que a celulite faz os seus estragos.

As primeiras investigações incidiram nas hormonas femininas: foliculina. No laboratório, a adição destas hormonas à substância do tecido conjuntivo produziu uma reacção comparável à da celulite: obtinham-se as mesmas transformações quimicas.

A partida estava ganha, mas somente no labora­tório; o tratamento hormonal nunca deu qualquer resultado prático.

A reacção química produzida pelas hormonas femi­ninas merece ser considerada. Poderia tornar-se uma parte da explicação final.

As outras hormonas foram estudadas. Vamos deter–nos no interesse suscitado pela glândula tiróide.

A hormona segregada por esta glândula comanda e acelera todas as funções orgânicas a todos os níveis. Nunca se provou que estivesse de algum modo rela­cionada com a formação da celulite.

Na formação da celulite, descrevemos um atraso, uma lentidão de funcionamento, uma acumulação dos produtos residuais.

Tratar-se-ia duma má absorção celular? Seria uma preguiça na função da própria célula? Esta sobrecarga de dejectos poderia ser o resultado de um mau rendimento da célula, insuficientemente estimulada pela hormona da glândula tiróide?

A função da tiróide não é com certeza a causa da celulite, mas deve ter-se presente a sua função essencial, estimulante.

Sistema nervoso

No cérebro humano existem centros de comando de todas as actividades locais. Determinados centros comandam as actividades conscientes, por exemplo: a marcha ou a fala. Outros dirigem as actividades inconscientes, como a digestão e a respiração.

A circulação sanguínea também está na dependência desses centros directores da actividade vital não cons­ciente: comandam todos os movimentos dos vasos sanguíneos e determinam as suas reacções segundo as diversas circunstâncias, as diferentes necessidades.

Desregramento do centro director

O desregramento do centro de comando e as más directivas dadas aos movimentos dos vasos sanguíneos explicariam os fenómenos descritos na formação da celulite.

As possíveis causas das perturbações sofridas pelo centro director podem ser de duas ordens.

1. Físico ou orgânico

Conhecemos a inter-relação e a dependência con­tínua de todas as funções do corpo humano. Qualquer defeito, qualquer função anormal de qualquer parte do corpo humano produzem reacções generalizadas e têm repercussões sobre a totalidade do nosso ser. Assim, todas as condições orgânicas podem influenciar a acti­vidade deste centro director.

2. Psicológico

Todos os fenómenos vitais, mesmo os inconscientes, dependem do cérebro humano. O cérebro é, portanto-, o grande general.

Temos então de concluir que as nossas actividades quotidianas fazem sentir a sua influência sobre todos os fenómenos vitais, quer sejam respiratórios, diges­tivos, circulatórios ou outros.

Todas as pequenas misérias quotidianas, todos os problemas, as emoções, os esforços, os sucessos, as decepções, as frustrações, os recalcamentos —e pode­ríamos continuar indefinidamente a enumeração destes factores, aparentemente sem importância, constante­mente vividos—, ocasionam reacções no cérebro humano.

A sua acumulação e a sua contínua repetição con­duzem a um estado de tensão, de superexcitação da actividade cerebral, ao desgaste, à deterioração da sua própria constituição. Inconscientemente, dá aos centros que estão na sua dependência directivas inadequadas, exageradas, desregradas.

Chegamos, portanto, à teoria do stress. Chegamos à medicina psicossomática, isto é, a uma doença orgâ­nica real, a um mau funcionamento dum sistema, dum órgão, secundários às influências cerebrais.

Portanto, já não se trata de doenças imaginárias. A celulite seria uma dessas doenças ditas psicos­somáticas. A repercussão física dum distúrbio psicológico. Todo o nosso ritmo de vida, todas as nossas acti­vidades, todo o nosso ser, enfim, influenciam este centro director da circulação sanguínea. É a teoria actualmente mais plausível, a mais aceite.

Função respiratória

A respiração não deve ser negligenciada. Não é a causa da celulite, mas o seu papel é indiscutível. Com efeito, o sangue vem procurar o seu oxigénio nos pulmões para o transportar e distribuir por todo o organismo.

Sabe-se que, dum modo geral, todas as pessoas respiram mal, não absorvendo em cada respiração a quantidade de ar suficiente e disponível. Também é conhecida a poluição do ar que respiramos.

Isto implica uma má oxigenação da célula e dos tecidos e, por isso, uma insuficiente combustão dos produtos nutritivos, uma má utilização, uma má absorção e uma sobrecarga de dejectos, elementos não captados pela célula.

A celulite teria uma causa primeira, o estado de stress repetido, incessante, implicando o desgaste das células nervosas e o desregramento das directivas dadas pelo centro de comando da circulação sanguínea.

Devemos ter presentes os outros desequilíbrios estu­dados e a sua possível acção sobre o desenvolvimento celulítico. Charmar-lhes-emos factores secundários.

1.  A foliculina

Secreção ovárica, hormona feminina, de acção par­cialmente demonstrada, poderiam explicar o facto de a celulite ser, antes de mais nada, uma doença feminina.

2.  O funcionamento do fígado

O fígado, cuja função é de desintoxicação e trans­formação de certos produtos do organismo, permitiria, através dum mau funcionamento, a acumulação desses produtos inúteis e ofensivos.

3. A glândula tiróide

A sua secreção hormonal controla e acelera todas as trocas e todas as funções orgânicas. A diminuição desta função tiróidea retardaria e tornaria insuficientes todos os fenómenos normais, essenciais, do organismo.

4. A prisão de ventre

Não falámos deste facto. É digno de menção. O seu papel excretor de todos os dejectos do organismo é com eerteza essencial ao bom funcionamento geral de todo o ser. A diminuição da excreção intestinal implica necessariamente a estase, a acumulação e mesmo a reabsorção de produtos nocivos. Uma nota interessante: a prisão de ventre é muito mais frequente na mulher do que no homem.

5. A respiração

É inútil voltar a este assunto, que acabámos de expor. Estes diversos dados permitem-nos compreender a celulite: doença geral. Não trazem qualquer explicação ao facto de a doença ser principalmente uma manifestação localizada a certas regiões do organismo.

Essas diferentes localizações, como veremos no estudo particular de cada uma, são secundárias a um bloqueio circulatório local, acentuando numa dada região todos os fenómenos gerais. Serão os factores determinantes.


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